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domingo, 31 de maio de 2015
Papa: Que nossas comunidades reflitam o esplendor da Trindade

Papa: Que nossas comunidades reflitam o esplendor da Trindade


Cidade do Vaticano (RV) – “Somos chamados a viver não uns sem os outros, sobre ou contra os outros, mas uns com os outros, para os outros e nos outros”. No Angelus na Solenidade da Santíssima Trindade, o Papa Francisco propôs o modelo trinitário como exemplo para nossas vidas e comunidades eclesiais. "A Trindade – disse o Santo Padre - é o fim último para o qual é orientada a nossa peregrinação terrena".

A Trindade é comunhão de Pessoas divinas as quais estão uma com a outra, uma para a outra, uma na outra: esta comunhão é a vida de Deus, o mistério do amor do Deus vivo. “Foi Jesus quem nos revelou este mistério”, disse o Pontífice, que em dois momentos convidou os mais de 50 mil presentes na Praça São Pedro a fazerem o sinal da cruz, em voz alta, recordando este mistério “que abraça toda a nossa vida e todo o nosso ser cristão”.
A ordem que Jesus deu a seus discípulos para irem a todo o mundo pregar o Evangelho e batizar “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, é a mesma dada à Igreja, que herdou o mandato missionário dos Apóstolos. A Solenidade de hoje, portanto, ao mesmo tempo que nos faz contemplar este “maravilhoso mistério”, nos renova a missão de viver a comunhão com Deus e entre nós no modelo daquela trinitária:
“Somos chamados a viver não uns sem os outros, sobre ou contra os outros, mas uns com os outros, para os outros e nos outros. Isto significa acolher e testemunhar concordes a beleza do Evangelho; viver o amor recíproco e para os outros, partilhando alegrias e sofrimentos, aprendendo a pedir e dar perdão, valorizando os diversos carismas sob a guia dos Pastores. Em uma palavra, nos é confiada a missão de edificar comunidades eclesiais que sejam sempre mais família, capazes de refletir o esplendor da Trindade e de evangelizar não somente com palavras, mas com a forma do amor de Deus que habita em nós”.
A Trindade – disse o Santo Padre - é o fim último para o qual é orientada a nossa peregrinação terrena. O caminho da vida cristã é, de fato, um caminho essencialmente “trinitário”:
“Tudo, na vida cristã, gira em torno ao mistério trinitário e é realizado na ordem deste infinito mistério. Procuremos, portanto, manter sempre elevado o “tom” da nossa vida, recordando-nos sempre a que finalidade e para qual glória nós existimos, trabalhamos, lutamos, sofremos; e a qual imenso prêmio somos chamados”.
Ao concluir a reflexão que antecede a Oração do Angelus neste último dia do mês de maio, o mês mariano, Francisco recordou que a Virgem Maria, mais do que qualquer outra criatura conheceu, adorou, amou o mistério da Santíssima Trindade:
“Que ela nos guie pela mão; nos ajude a perceber nos eventos do mundo os sinais da presença de Deus, Pai e Filho e Espírito Santo; nos faça amar o Senhor Jesus com todo o coração, para caminhar rumo à visão da Trindade, objetivo maravilhoso para o qual tende a nossa vida. Peçamos a ela também para ajudar a Igreja, mistério de comunhão, para ser comunidade acolhedora, onde cada pessoa, especialmente pobre e marginalizada, possa encontrar acolhida e sentir-se filha de Deus, querida e amada”.
Antes de saudar os grupos de diversas proveniências presentes na Praça, o Pontífice recordou a beatificação neste domingo em Bayonne, na França, do fundador das Irmãs Servas de Maria, Louis-Edouard Cestac, fundador das Irmãs Servas de Maria:
“O seu testemunho de amor a Deus e ao próximo é para a Igreja um novo estímulo a viver com alegria o Evangelho da caridade”.
Antes de sua tradicional despedida, o Papa Francisco recordou que na próxima quinta-feira, em Roma, será realizada a tradicional procissão de Corpus Christi, com a celebração da missa às 19 horas na Praça São João de Latrão, a adoração ao Santíssimo e a caminhada até a Basílica Santa Maria Maior: “Convido-vos desde agora a participar deste solene ato público de fé e de amor a Jesus Eucarístico, presente em meio ao seu povo”. (JE)
 Eis a íntegra da alocução do Santo Padre, que precedeu a Oração do Angelus:
“Queridos irmãs e irmãs, bom dia e bom domingo!
Hoje celebramos a Festa da Santíssima Trindade, que nos recorda o mistério do único Deus em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A Trindade é comunhão de Pessoas divinas as quais estão uma com a outra, uma para a outra, uma na outra: esta comunhão é a vida de Deus, o mistério do amor do Deus vivo. E Jesus nos revelou este mistério. Ele nos falou de Deus como Pai; nos falou do Espírito; e nos falou de si mesmo como Filho de Deus. E assim nos revelou este mistério. E quando, ressuscitado, enviou os seus discípulos a evangelizar os povos, disse a eles para os batizarem “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Esta ordem, Cristo confia à Igreja em todos os tempos, que herdou dos Apóstolos o mandato missionário. O dirige também a cada um de nós que, pela força do Batismo, fazemos parte da sua Comunidade.
Portanto, a solenidade litúrgica de hoje, enquanto nos faz contemplar o maravilhoso mistério de onde viemos e para o qual iremos, nos renova a missão de viver a comunhão com Deus e viver a comunhão entre nós no modelo da comunhão divina. Somos chamados a viver não uns sem os outros, sobre ou contra os outros, mas uns com os outros, para os outros e nos outros. Isto significa acolher e testemunhar concordes a beleza do Evangelho; viver o amor recíproco e para os outros, partilhando alegrias e sofrimentos, aprendendo a pedir e dar perdão, valorizando os diversos carismas sob a guia dos Pastores. Em uma palavra, nos é confiada a missão de edificar comunidades eclesiais que sejam sempre mais família, capazes de refletir o esplendor da Trindade e de evangelizar não somente com palavras, mas com a forma do amor de Deus que habita em nós.
A Trindade, como eu acenava, é também o fim último para o qual é orientada a nossa peregrinação terrena. O caminho da vida cristã é, de fato, um caminho essencialmente “trinitário”: o Espírito Santo nos guia ao pleno conhecimento dos ensinamentos de Cristo, e nos recorda também o que Jesus nos ensinou; e Jesus, por sua vez, veio ao mundo para nos fazer conhecer o Pai, para nos guiar a Ele, para reconciliar-nos com Ele. Tudo, na vida cristã, gira em torno ao mistério trinitário e é realizado na ordem deste infinito mistério. Procuremos, portanto, manter sempre elevado o “tom” da nossa vida, recordando-nos sempre a que finalidade e para qual glória nós existimos, trabalhamos, lutamos, sofremos; e a qual imenso prêmio somos chamados. Este mistério abraça toda a nossa vida e todo o nosso ser cristão. Disto nos recordamos, por exemplo, cada vez que fazemos o sinal da cruz: em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. e agora vos convido a fazerem todos juntos, e com voz forte, este sinal da cruz: 'Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo".
Neste último dia do mês de maio, o mês mariano, confiemo-nos a Virgem Maria. Ela, que mais do que qualquer outra criatura conheceu, adorou, amou o mistério da Santíssima Trindade, nos guie pela mão; nos ajude a perceber nos eventos do mundo os sinais da presença de Deus, Pai e Filho e Espírito Santo; nos faça amar o Senhor Jesus com todo o coração, para caminhar rumo à visão da Trindade, objetivo maravilhoso para o qual tende a nossa vida. Peçamos a ela também para ajudar a Igreja, mistério de comunhão, para ser comunidade acolhedora, onde cada pessoa, especialmente pobre e marginalizada, possa encontrar acolhida e sentir-se filha de Deus, querida e amada”.
Fonte:Rádio Vaticana

domingo, 24 de maio de 2015
A Vinda do Espírito Santo

A Vinda do Espírito Santo


"O Espírito Santo é o único que pode ajudar as pessoas e as comunidades a libertarem-se dos velhos e dos novos determinismos, guiando-os com a Lei do Espírito que dá a vida em Cristo Jesus." (João Paulo II)

Ao término do período de cinqüenta dias após a Páscoa, a festa de Pentecostes, a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos, marca o cumprimento da promessa de Jesus Cristo: "Quando vier o Paráclito que vos enviarei de junto do Pai, o Espírito da Verdade que vem do Pai, ele dará testemunho de mim. E vós também dareis testemunho, porque estais comigo desde o princípio" (Jo 15, 26-27). E João acrescenta ainda: "Quando vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à verdade plena, pois não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas futuras! (Jo 16,13)

Para nós, cristãos, é a festa do Divino Espírito Santo que inunda novamente a Terra, descendo sobre os apóstolos reunidos com Maria, Mãe de Jesus, e mais 120 outros discípulos, por ordem do mesmo Jesus Cristo.

Estas duas festas, Páscoa e Pentecostes, marcam as datam maiores da vida da Igreja, no seu nascimento e no seu desenvolvimento sob o impulso do Espírito Santo, cuja descida sobre Maria Santíssima e os apóstolos foi marcada por eventos que lhe deram a maior publicidade. "Achavam-se em Jerusalém judeus piedosos, vindos de todas as nações que há debaixo do Céu. Com o ruído que se produziu, a multidão acorreu perplexa, cada qual ouvia falar em seu próprio idioma. Estavam todos estupefatos e, atônitos, perguntavam uns aos outros: "O que vem a ser isto?" (At. 2, 5-6. 12).

"O tempo da Igreja teve início no momento em que as promessas e os anúncios, que tão explicitamente se referiam ao Consolador, ao Espírito da Verdade, começaram a verificar-se sobre os apóstolos, com poder e com toda a evidência, determinando assim o nascimento da Igreja" (João Paulo II, em Dominum et Vivificantem, 25).

É a partir de Pentecostes que o ser humano toma consciência do seu poder de amar, reconhecendo no outro a sua própria humanidade, sem distinção de raça, tribo, sangue ou cor.

O período sagrado dos cinqüenta dias recorda o tempo de espera e a efusão do Espírito Santo sobre os apóstolos reunidos com Maria, Mãe de Jesus, ocorrido no qüinquagésimo dia após a Páscoa da Ressurreição, marcando o início da ação evangelizadora da Igreja. Lucas acentua a importância da presença de Maria, a Mãe do Senhor. A iconografia dos primeiros séculos acentua essa presença de Maria, ela que concebera o Verbo de Deus pelo poder do Espírito Santo.

O Pentecostes, dia do nascimento da Igreja, é o momento em que o verdadeiro significado da Cruz e da Ressurreição de Cristo se manifesta e retorna à comunhão com Deus. Em Pentecostes a Igreja toma consciência da sua missão missionária e revela seu dinamismo evangelizador formando comunidades cristãs autênticas, seguidoras de Jesus Cristo, pois o Espírito Santo é a força que santifica, Ele que é o Espírito de santidade.

Na Sagrada Escritura, se descreve o Espírito Santo, como sopro, pois ajuda o encontro entre a figura de Jesus e o coração humano, encarnando-a em cada pessoa. Foi o que Jesus fez ao aparecer aos apóstolos após sua Ressurreição: "Soprou sobre eles e disse: recebei o Espírito Santo..."

Nós o recebemos no dia do nosso Batismo e confirmamos no dia de nossa Crisma, e o reafirmamos rezando no Credo as seguintes palavras: "Creio no Espírito Santo".

O Catecismo, na Igreja Católica, afirma: "crer no Espírito Santo é professar que o Espírito Santo é uma das pessoas da Santíssima Trindade, consubstancial ao Pai e ao Filho e "com o Pai e o Filho é adorado e glorificado". Ele está em ação com o Pai e o Filho do início até a consumação do projeto de nossa salvação. Mas é "nos últimos tempos", inaugurados pela encarnação redentora do Filho, que ele é revelado e dado, reconhecido e acolhido como pessoa" (Cf nº 685/686).

No Pentecostes, o Espírito Santo revela toda a força. De tímidos e medrosos, transforma os apóstolos em missionários ardorosos, anunciando sem temor que Jesus, "que vocês mataram" (dirigindo-se aos judeus), ressuscitou dos mortos e isso nós e o Espírito Santo o atestamos publicamente.

A presença do Espírito Santo nas pessoas e nas comunidades se manifesta, principalmente, através dos seus dons e carismas concedidos a todos e a cada um para a unidade e edificação da Igreja (Ef. 4). Neste dia solene de Pentecostes, é bom a gente recordar os dons que o Espírito Santo derrama sobre cada um de nós, quando nos abrimos à sua ação santificadora:

O dom da Sabedoria que fortalece a nossa caridade e prepara-a para a visão plena de Deus, trazendo-lhe o gosto de Deus e de sua palavra.

O dom do Conhecimento que torna a nossa fé mais segura e sólida, permitindo-nos perscrutar as grandezas de Deus que se manifestam na natureza e na intimidade do próprio ser.

O dom da Ciência que nos permite julgar retamente sobre as criaturas, orientando-nos para Deus e desapegando-nos conscientemente delas.

O dom do Conselho que nos é concedido para sanar nossa irreflexão e precipitação na escolha das soluções pelas quais devemos optar.

O dom da Piedade que nos faz ver que o nosso Deus é um Deus de perdão, de misericórdia, de bondade e compaixão e que nos convida a ser, por nossa vez, compassivos e misericordiosos para com os irmãos.

O dom do Temor a Deus que nos leva a ter uma atitude de respeito diante de Deus e não de medo, afastando-nos de tudo aquilo que lhe possa desagradar.

De posse desses dons, o Espírito Santo, como nos lembra São Paulo, produz frutos de amor, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio de si" (Gl 5,22). De fato, o Espírito Santo é o único que pode ajudar as pessoas e as comunidades a libertarem-se dos velhos e novos determinismos, guiando-nos com a Lei do Espírito que dá a vida em Cristo Jesus" (João Paulo II).

É o Espírito Santo que nos ajuda a aprofundar nossa relação com Jesus Cristo, "tornando-o conhecido e amado", como nos pede São Marcelino Champagnat, e procurar "centrar nossa vida nele" (XX Cap. Geral). Por isso, devemos cooperar com o Espírito Santo no meio das realidades e vicissitudes da vida de hoje. Daí a importância da invocação de sua assistência pela oração.

De um autor desconhecido (pelo menos por mim) encontrei esta oração que rezo todos os dias antes da meditação e que proponho à recitação de todos. Esta oração composta do servo de Deus, Papa Paulo VI.



Ó Espírito Santo,
Dai-me um coração grande, aberto à Vossa silenciosa e forte palavra inspiradora.
Fechado a todas as ambições mesquinhas,
alheio a qualquer desprezível competição humana,
compenetrado do sentido da santa Igreja.
Dai-me, ó Espírito Santo,
um coração grande, desejoso de ser semelhante ao coração de Jesus Cristo,
um coração grande e forte para amar a todos, servir a todos e sofrer por todos,
um coração grande e forte para superar todas as provações, todo o tédio, todo o cansaço, toda a desilusão e toda a ofensa,
um coração grande e forte, constante até para o sacrifício quando for necessário,
um coração grande, cuja felicidade seja participar com o coração de Cristo e cumprir de maneira

Irmão Egídio Luiz Setti, fms

Fonte:Portal do Divino 
terça-feira, 19 de maio de 2015
Por que temos de sofrer as consequências do pecado de Adão e Eva, nossos primeiros pais?

Por que temos de sofrer as consequências do pecado de Adão e Eva, nossos primeiros pais?


Todos nós, seres humanos, fomos criados de tal modo, que podemos livremente eleger entre os caminhos possíveis que temos por diante, inclusive com a terrível capacidade de negarmos o nosso próprio Criador.

Realmente, é impressionante a liberdade humana. Deus nos cria com ela, preferindo o risco de que o neguemos a obrigar-nos a amá-Lo por coação. Deseja, assim, que o amemos livremente, como filhos, e não como escravos.

Observando a nossa história pessoal, não é difícil perceber que a cada uma dessas escolhas que fazemos nos tornamos responsáveis pelas suas consequências. Quando preferimos o pecado à vontade de Deus, inevitavelmente experimentamos suas amargas consequências, e é justo que seja assim. Mas o que dizer quando o pecado de uma outra pessoa passa a ser, de algum modo, atribuído também a mim? Por que temos que sofrer as consequências do pecado de Adão e Eva, nossos primeiros pais?

Com efeito, afirma São Paulo: “Como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todo o gênero humano, porque todos pecaram” (Rm 5, 12). Nossos primeiros pais pecaram gravemente. Abusando de sua liberdade, desobedeceram ao mandamento de Deus. Nisto consistiu o primeiro pecado do homem (cf. Rm 5, 19). Por este pecado perderam o estado de santidade no qual haviam sido criados. O pecado entra na história, portanto, não procedendo de Deus, mas do mal uso da liberdade do homem.

Embora este primeiro pecado tenha sido um ato pessoal de Adão e Eva, existe tamanha solidariedade entre os homens, que tal pecado afeta a todos nós, como afirma o Catecismo da Igreja Católica (cf. n. 404):

“Todo o gênero humano é, em Adão, «sicut unum corpus unius hominis – como um só corpo dum único homem». Em virtude desta «unidade do gênero humano», todos os homens estão implicados no pecado de Adão, do mesmo modo que todos estão implicados na justificação de Cristo. Todavia, a transmissão do pecado original é um mistério que nós não podemos compreender plenamente. Mas sabemos, pela Revelação, que Adão tinha recebido a santidade e a justiça originais, não só para si, mas para toda a natureza humana; consentindo na tentação, Adão e Eva cometeram um pecado pessoal, mas este pecado afeta a natureza humana que eles vão transmitir num estado decaído”.

Para distinguir a relação que se dá entre Adão e Eva e cada um de nós com o pecado original, os teólogos utilizam duas expressões bastante elucidativas: “pecado original originante” (para referir-se ao pecado daqueles, um pecado cometido diretamente pelos nossos primeiros pais), e “pecado original originado” (para referir-se ao pecado original com o qual todos nascemos, um pecado próprio de cada um, mas não cometido pessoalmente por nós, senão contraído, em virtude de nossa natureza). O “pecado original originado” – o pecado original em nós – é chamado de “pecado” de maneira análoga. Trata-se do estado de perda com o qual todos nós nascemos daquela santidade original com a qual Deus havia criado o homem. Este estado não se transmite por imitação dos maus exemplos dos nossos antecessores, mas por propagação, afetando diretamente a nossa natureza. Já nascemos assim.

Agora, se por um lado, em Adão todos pecaram, continua o Apóstolo, “pela obediência de um só todos se tornarão justos”. Em Cristo, o novo Adão, todos temos acesso à santidade. Através do sacramento do Batismo a redenção alcançada pelo Senhor Jesus Cristo com sua Cruz e Ressureição é aplicada a cada um de nós, e nos tornamos livres do pecado original, orientados novamente para Deus, embora as consequências deste pecado – não o pecado original – persistirão em nós, e exigirão até o final de nossas vidas um intenso combate espiritual para vivermos de forma coerente com esta nova vida divina que nos vem pelo Batismo.

Pe. Demétrio Gomes.

Fonte: Presbíteros
terça-feira, 12 de maio de 2015
Mês dedicado a nossa mãe Maria Santíssima

Mês dedicado a nossa mãe Maria Santíssima


Mais um mês de Maio se inicia. Mês dedicado a nossa mãe Maria Santíssima, para que possamos honrar e bendizer a mulher que nos trouxe Jesus, a Salvação.
A mulher que tão jovem decidiu se entregar aos planos de Deus, foi submissa, serva, obediente e determinada. Em Maria podemos encontrar modelo de firmeza e radicalidade diante dos planos de Deus. Nossa Senhora é a Cheia de Graça, por ela passam-se as graças de Deus. Ela, sendo mãe de Deus (Theotokos) torna-se também nossa mãe. Jesus no alto da cruz nos dá Maria. É uma entrega recíproca de amor, a Mãe que nos entrega seu filho, com total resignação e esperança no cumprimento da promessa de Deus, mesmo diante de toda dor. E o filho que entrega sua mãe para que através dela possamos chegar a Ele. Maria é a ponte segura que nos leva a Jesus. Ela está sempre nos apontando seu filho como único Senhor e caminho de Salvação. Nossa Senhora nos conduz no itinerário da cruz, uma vez que a mesma tão bem percorreu esse caminho. Em Nossa Senhora aprendemos a permanecer de pé diante do sofrimento. Aprendemos, sobretudo a silenciar. Maria guardava tudo em seu coração. O silêncio de Maria não é apenas ausência de palavras, mas total confiança e abandono na vontade daquele que a elegeu para tão sublime missão. O CIC art.411 também chama Maria de Nova Eva, a mulher que pela sua obediência foi canal para que a Salvação entrasse no mundo. No seio da virgem Maria, Jesus, O Salvador, foi plasmado, gerado. O Espírito de Deus nela encontrou livre acesso. Assim, o pecado foi vencido por Jesus. E Maria criatura torna-se mãe do Criador.
Maria se fez serva da humanidade, por isso a aclamamos como Senhora, porque primeiro serviu. É o que nos mostra Lc 1,33, quando a mesma , sabendo de sua condição de mãe do Salvador, do Rei, vai ao encontro de sua prima, não para constatar o milagre de Deus, mas para servi-la. É a partir da saudação de sua prima Isabel “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é fruto do teu ventre.” (Lc 1,42) que Maria canta o Magnificat, um perfeito louvor a Deus, no qual exclama: “Doravante todas as gerações me felicitarão.” (Lc1,48). Maria é Bendita porque Deus olhou sua pequenez, humildade e a elegeu. Portanto todas as gerações a proclamarão Bendita, Santa, Cheia de Graça. Porque o próprio Deus assim o quis.
Maria é a filha de Sião, ou seja, filha do céu, filha do seu tempo e do seu povo. Maria representa seu povo e conhece suas misérias, sofrimentos e penúrias. Por isso ora por cada um de nós. Como mãe nos ama, intercede ao pai por nós. Maria “encontrou graça diante de Deus” (Lc1,     ), por isso  não cessa de orar e suplicar pela humanidade.







 Marília Mendes  -  Missionária da Comunidade de Vida 
                                    Comunidade Filhos de Sião
segunda-feira, 11 de maio de 2015
O Processo de Beatificação de Dom Helder Câmara

O Processo de Beatificação de Dom Helder Câmara



No dia 3 de maio, próximo passado, muitos fiéis da Arquidiocese de Olinda e Recife e da Arquidiocese de Fortaleza superlotaram a Igreja Catedral do Santíssimo Salvador do Mundo, em Olinda, para celebrar a abertura oficial do processo de beatificação e canonização de Dom Helder Câmara, Arcebispo Emérito de Olinda e Recife. Dom Helder nasceu em Fortaleza no Ceará no dia 7 de novembro de 1909 e faleceu no Recife no dia 27 de agosto de 1999. A Santa Missa foi presidida pelo Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido que recebeu a ordenação sacerdotal das mãos de Dom Helder. A homilia durante a missa foi pregada pelo arcebispo emérito de Paraíba, Dom José Maria Pires, contemporâneo e amigo de Dom Helder e agora totalmente lúcido com 96 anos. O Governador de Pernambuco, Dr. Paulo Câmara e membros de seu governo também marcaram presença na missa.

Na ocasião Dom Fernando apresentou os membros da comissão jurídica responsável por reconhecer as “virtudes heroicas” do seu ilustre antecessor. Ele aproveitou do ensejo também para pedir orações através da intercessão do Dom Helder.  A solenidade foi marcada para as nove horas. Na ocasião foi apresentado o tribunal ou comissão, como é chamado o grupo de trabalho formado por cinco membros: juiz delegado e promotor de justiça (ambos formados em direito canônico), o notário, o notário adjunto e o cursor. O bispo auxiliar de Recife, Dom Antonio Tourinho Neto é o Juiz Delegado e Coordenador do Tribunal. Ele está impressionado com o número de pessoas que querem ser ouvidos pelo Tribunal. Essas pessoas precisam responder um questionário composto de 70 perguntas! Os membros do Tribunal juraram com suas mãosna Bíblia guardar um sigilo sobre as testemunhas das pessoas a serem ouvidos.  O postulador da causa de beatificação e canonização de Dom Helder, Frei Jociel Gomes explicou que “O objetivo dos membros deste grupo de trabalho é analisar os textos publicados por Dom Helder e ouvir pessoas que tiveram contato com ele.  É fundamental também a atuação das comissões histórica e teológica”.

Em entrevista coletiva dada no início de abril Dom Saburido assinou o edital que torna pública a autorização da Santa Sé. O texto cita a carta enviada pelo Prefeito da Sagrada Congregação para a Causa dos Santos, Cardeal Angelo Amato, que foi emitida menos de dez dias depois que o Secretário responsável peloreferido discatério confirmou o recebimento do pedido de abertura do processo de Dom Helder Câmara, no dia 16 de fevereiro deste ano. Na entrevista Dom Saburido afirmou: “Tenho um carinho enorme por Dom Helder e desde que cheguei à Arquidiocese de Olinda e Recife há esse desejo do povo de Deus. Enviamos o pedido no dia 27 de maio do ano passado e nos surpreendemos positivamente o retorno rápido da Santa Sé. Agora vamos trabalhar para concluir a etapa diocesana do processo. Em seguida, será a vez de o Vaticano realizar a outra parte do processo”. O Instituto Dom Helder Câmara colocou a disposição do Tribunal o acervo do Instituto com mais de 2.000 cartas, 3.000 crônicas e centenas de poesias e discursos. Existe agora uma oração pessoal feita para alcançar a beatificação e canonização de Dom Helder que em nada se pretende antecipar a autoridade eclesiástica.

Cabe agora ao Postulador elaborar o “Positio” que é um sumário dos estudos e relatos realizados pela comissão, contendo uma biografia amplamente documentada apresentando as virtudes praticadas por Dom Helder. Quando o “Positio” é aprovado pela Santa Sé, o Papa concederá o título de “Venerável Servo de Deus” ao Dom Helder. O próximo passo é o da beatificação, onde o beato é considerado um modelo de vida para os fiéis e que tem o poder de intermediário entre os fiéis e Deus. Este passo exige um milagre atribuído ao Servo de Deus. Finalmente, a última fase do processo é a canonização. Esta fase exige mais um milagre atribuído ao beato. A cerimônia terminou com Dom Saburido convidando os presentespara visitar o túmulo de Dom Helder onde houve orações e a benção do túmulo. Os Cearenses estão ansiosos para ter seu primeiro santo nativo. Dom Helder nasceu em Fortaleza, estudou no Seminário da Prainha em Fortaleza e desde seminarista defendeu os Direitos Humanos, especialmente para os pobres e marginalizados. Pregava uma Igreja simples voltada para os pobrese defendeu fortemente o movimento “não a violência”.

PE. BRENDAN COLEMAN MC DONALD


FONTE: CNBB



domingo, 3 de maio de 2015
A necessidade da Virgem Maria

A necessidade da Virgem Maria




Maria nunca se cansa de interceder por nós, somos nós que nos cansamos de pedir a sua intercessão

Nas suas cartas espirituais, São Francisco de Sales tinha a capacidade de conduzir seus leitores a uma ardente esperança pela salvação. Isso fazia o então bispo de Genebra, orientando-os a não se deixarem abater pelas próprias faltas, e, sim, a utilizá-las para o crescimento na humildade. São Francisco recomendava insistentemente a intercessão de Maria. "A Santíssima Virgem foi sempre a Estrela polar e o porto favorável de todos os homens que têm navegado pelos mares deste mundo miserável", ensinava o santo aos fiéis [1]. De fato, na história da cristandade, sobretudo nos momentos de grande tribulação, Nossa Senhora revelou-se como Auxilium Christianorum.

Esse título mariano, empregado ao longo dos séculos por uma porção de santos — e contemplado na famosa Ladainha Lauretana — explicita algo de muito importante para a fé católica: a necessidade de Maria. Porque Deus quis precisar da Virgem Santíssima para trazer a salvação ao mundo, o homem deve também recorrer à sua maternidade. Trata-se da Pedagogia Divina: indo a Deus por meio de Nossa Senhora, reconhecemos perante o céu nossa condição miserável; não somos dignos de receber a graça diretamente das mãos do Pai. Dizia Bento XVI, inspirado no testemunho de São Frei Galvão, ao povo brasileiro: "Não há fruto da graça na história da salvação que não tenha como instrumento necessário a mediação de Nossa Senhora" [2]. Ela está presente, ainda que discretamente, em todos os momentos cruciais da vida terrena de Cristo. Na encarnação, vemos o anjo saudá-la: "Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo" (Lc 1, 28). Nas bodas de Caná também está presente: "Fazei o que Ele vos disser" (Jo 2, 5). Ao pé da cruz, consola as dores do Filho, tendo o coração transpassado pela espada de dor, anunciada por Simeão (cf. Lc 2, 35). E, em Pentecostes, aparece ao lado dos Apóstolos para rezar pela vinda do Paráclito e manifestação da Igreja (cf. At 1, 14).

O clássico de Ariano Suassuna, O Auto da Compadecida, apresenta essa intercessão de Maria de forma belíssima. Na cena do julgamento, em que João Grilo recorre ao socorro da "Mãe de Deus de Nazaré", vê-se todo o drama do ser humano ao mesmo tempo em que se manifesta a Misericórdia de Deus pelos lábios da Virgem: "Intercedo por esses pobres, meu Filho, que não têm ninguém por eles; não os condene". E quando para João Grilo já não se acha aparentemente nenhuma possibilidade de salvação — mesmo ele se deixa abater, achando-se condenado —, está Ela a suplicar outra vez pelo homem. O episódio permite-nos recordar algumas palavras do Papa Francisco na Evangelii Gaudium: "Deus nunca Se cansa de perdoar, somos nós que nos cansamos de pedir a sua misericórdia" [3]. Do mesmo modo, a Virgem Maria nunca se cansa de interceder por nós, somos nós que nos cansamos de pedir a sua intercessão.

No coração de cada cristão subsiste um João Grilo, isto é, aquele homem velho que ainda não se converteu. Por outro lado, existe também a fé do personagem que, agarrando-se à Mãe, confia na justa misericórdia de Deus. Diante de nossas misérias, podemos nos sentir desanimados e, como João Grilo, quase certos da condenação, embora nunca deixemos de rezar. Eis então que a Mãe nos grita, apontando para o diabo: "Não, João, não se entregue. Este é o pai da mentira, está querendo lhe confundir". Sim, é preciso uma exortação para que recuperemos a estrada do céu. A graça, como o próprio nome já diz, é gratuita. Mas, não coincide com a presunção. Diz São Luís de Montfort: "Será possível dizer de verdade que se ama e honra a Santíssima Virgem, quando, pelos pecados, se fere, se trespassa, se crucifica e ultraja impiedosamente a Jesus Cristo, seu filho?" [4] O homem deve renunciar ao pecado.
Há 160 anos Pio IX proclamava o dogma da Imaculada Conceição, com o qual se reconhecia que a Virgem Maria foi "absolutamente livre de toda mancha do pecado" desde a concepção [5]. É comovente o que relatam sobre as últimas palavras desse Bem-Aventurado Papa no seu leito de morte. Ele confessava [6]:

Estou contemplando docemente os quinze mistérios que adornam as paredes desta sala, que são outros tantos quadros de consolo. Se soubesse como me animam! Contemplando os mistérios gozosos, não me lembro das minhas dores; pensando nos dolorosos, sinto-me extremamente confortado, pois vejo que não estou sozinho no caminho da dor, mas que Cristo vai à minha frente; e quando considero os gloriosos, sinto uma grande alegria, e parece-me que todas as minhas penas se convertem em resplendores de glória. Como me consola o rosário neste leito de morte. O rosário é um Evangelho compendiado e dará aos que o recitam os rios de paz de que nos fala a Sagrada Escritura; é a devoção mais bela, mais rica em graças e gratíssima ao coração de Maria. Seja este, meus filhos, o meu testamento, para que vos lembreis de mim na terra.
Na história de Ariano Suassuna, a intercessão de Maria concede a João Grilo uma nova oportunidade para ser santo. É o que recebemos todas as vezes que nos arrependemos e confessamos nossos pecados. Maria acolhe nosso pedido de perdão e o entrega às mãos de Cristo. E este é o nosso grande consolo: saber que receberemos o Reino dos Céus pelas mãos de nossa Mãe. Com Ela, tudo se torna mais fácil. Sem Ela, tudo se torna praticamente impossível.

Fonte: Christo Nihil Praeponere

Referências

TISSOT, Joseph. A arte de aproveitar as próprias faltas. São Paulo: Quadrante, 2003, p. 115
Bento XVI, Homilia de Sua Santidade na Missa de Canonização de Frei Galvão, 11 de maio de 2007
Evangelii Gaudium, 3
São Luís Maria Grignion de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Virgem Santíssima, n. 98.
Papa Pio IX, Ineffabilis Deus
Francisco Fernández-Carvajal, Falar com Deus: Meditações para cada dia do ano. São Paulo: Quadrante, 2005, p. 258
O Ministério de Intercessão na Bíblia

O Ministério de Intercessão na Bíblia


O livro do Gênesis nos mostra Abraão, que se coloca como intercessor entre Deus e os habitantes de uma cidade que deveria ser destruída por causa de seus pecados. Em Gn 18,16-33 lemos: “Os homens levantaram-se e partiram na direção de Sodoma, e Abraão os ia acompanhando. O Senhor disse então: Acaso poderei ocultar a Abraão o que vou fazer? (...) os homens partiram, pois, na direção de Sodoma, enquanto Abraão ficou em presença do Senhor. Abraão aproximou-se e disse: Fareis o justo perecer com o ímpio? Talvez haja cinqüenta justos na cidade: fá-los hei perecer? Não perdoareis a cidade, em atenção aos cinqüenta justos que nela podereis encontrar? Não, vós não podereis agir assim, matando o justo com o ímpio! Longe de vós tal pensamento! Não exerceria o Juiz de toda a terra a Justiça? O Senhor disse: Se eu encontrar em Sodoma cinqüenta justos, perdoarei a toda a cidade em atenção a eles. Abraão continuou: Não leveis a mal, se ainda ouso falar ao meu Senhor, embora eu seja pó e cinza. Se porventura faltar cinco aos cinqüenta justos (...) Abraão replicou: Que o Senhor não se irrite se falo ainda uma última vez: Que será se lá forem achados dez? E Deus respondeu: Não a destruirei por causa desses dez. E o Senhor retirou-se, depois de ter falado com Abraão, e este voltou para a sua casa. ”
Tomado a posição de intercessor do povo na qual Abraão se colocou, ressaltamos, com este texto, uma característica no relacionamento entre Abraão e Deus: Eles eram íntimos. Deus havia tomado a decisão de destruir Sodoma, por causa do seu pecado e Ele sentiu a necessidade de que Abraão soubesse disso. Ao saber disso Abraão conversa com Deus através da intercessão, coloca aquilo que ele sente, argumenta e deixa a decisão final para Deus.
É assim, como Abraão, que os intercessores de hoje devem agir. Primeiramente devem estar na escuta de Deus que a qualquer momento vai lhes falar, para lhes comunicar suas decisões.
Isso acontece num ato de profundo amor de Deus para o homem. Ele suscita ao homem a interpelar diante dele como imagem de seu Filho Jesus na cruz que se coloca entre o céu e a terra, entre Deus e a humanidade. E o intercessor carismático, ao argumentar, diante do Pai amoroso, por seu povo amado, deixa-se levar pela oração intercessora que toca o mais profundo do seu amor e assim Ele cede deixando-se levar por sua misericórdia, impulsionado pelo seu grande amor.
Outra características dos intercessores é buscar os interesses do Pai, a exemplo de Abraão que diz: “Não fará justiça o juiz de toda a terra?”. E se caminharmos através da Bíblia veremos em Gn 20,3-7 e Gn 20,17 como Abraão se colocou como intercessor e poderemos, espelhados nele, fazer crescer o nosso ministério. É no livro do êxodo onde vamos encontrar o verdadeiro ministério de intercessão na pessoa carismática de Moisés. Moisés é o amigo íntimo de Deus. Trazia em si a fundamental característica do intercessor, que é esta intimidade. Ele encarna em si todas as característica que são natas, essenciais e vitais ao intercessor. Moisés é conhecido por argumentar diante de Deus em favor de seu povo, porque amava a Deus e conhecia o seu amor. Moisés acalmava o coração ferido de Deus e por isso confortava-lhe. Em Ex 32,33 e 34 é que vamos encontrar o ponto alto onde todas as características que mencionamos acima vão se evidenciar.
Como fez com Abraão, o Senhor confidencia a Moisés, pois esta é a sua maneira de conversar com os intercessores.
Quando Deus compartilha as dores de seu coração com seu escolhido (o intercessor), o que este pode fazer é transbordar o seu amor pelo Pai e, através da adoração, consolá-lo. Esta é a plenitude do relacionamento carismático do intercessor com Deus. E é neste relacionamento que o intercessor vai aplacar o coração ferido de Deus.
Em Ex 32,1-14 vamos presenciar o episódio onde Moisés, no Monte Sinai, se encontra com Deus. Devido a insegurança do deserto e a sua própria fraqueza carnal, o povo já não vê Moisés, nem a imagem de Deus que ele transmitia para aquele povo tão frágil. Por causa disso, o povo constrói um bezerro de ouro, o proclama Deus e o adora. O coração de Deus ficou em profunda ferida. O seu povo amado estava em adultério e o havia abandonado. E é neste momento que o Senhor fala com Moisés, que nada sabia do que estava acontecendo, e diz: “Vai, desce, porque o teu povo, que fizeste sair da terra do Egito, perverteu-se. Depressa se desviou do caminho que eu lhes havia ordenado... Tenho visto a este povo: é um povo de dura cerviz. Agora, pois, deixa-me para que se acenda contra eles a minha ira e eu os consuma e farei de ti uma grande nação. Moisés, porém, suplicou a Iahweh seu Deus e disse: Por que, ó Iahweh, se acende a tua ira contra teu povo, que fizeste sair do Egito?... Por que os egípcios haveriam de dizer: Ele os fez sair com engano?... Abranda o furor da tua ira e renuncia ao castigo com o qual havia ameaçado o povo”.
É incrível vermos num texto, de maneira tão certa, a concretização de tudo quanto nos inspira o Espírito Santo a falar acerca do intercessor. É maravilhoso vermos o poder de Deus agindo tão fortemente através da oração de intercessão. Ainda podemos aprofundar a nossa compreensão sobre ministério de intercessão em textos como Ex 32,30-35; Ex 33,13-17 e Ex 34,8-10, e meditando com eles o Senhor nos levará ao entendimento profundo da intimidade dele com o intercessor.
No livro do profeta Isaías, nós encontramos textos que nos farão compreender profundamente o ministério de intercessão. Em Is 62,6 vemos: “Sobre os teus muros, ó Jerusalém, postei guardas; eles não se calarão nem de dia, nem de noite”. Vemos neste texto que é um desejo do coração de Deus, e mais que um desejo é uma promessa, que não faltará aos seus escolhidos (pessoas e obras), intercessores, sentinelas que jamais se calarão. São esses os intercessores que o Senhor deseja, homens que não descansem e nem dêem a Ele descanso “até que se estabeleça Jerusalém”.
É uma outra característica forte do intercessor. Ele não desiste facilmente e se apóia firmemente nas promessas do próprio Deus, naquilo que Ele próprio prometera.
No livro do profeta Ezequiel, o Senhor se queixa e o seu coração se encontra muito triste por não ter encontrado um só intercessor, como vemos: “Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim a favor desta terra, para que eu não a destruísse; mas a ninguém, achei”.
Por isso se faz urgente em nossos grupos, comunidades, etc, que surjam intercessores para tapar as brechas do que são os pecados e as fraquezas de seu povo. Não são os grupos, as comunidades que clamam por intercessores, mas é Deus quem os procura, ansiosamente. É ele quem os quer, quem os deseja.
Para você que lê este artigo, no seu grupo, na sua comunidade, você não pode mais deixar o Senhor esperar. Forme, anime o ministério de intercessão e a voz do Senhor se fará ouvir com muito maior constância e as coisas caminharão com maior liberdade.
No novo testamento vemos como São Paulo, quando escreve aos efésios, exorta-os a intensificar o ministério de intercessão, isto é, fazê-lo crescer, quando diz: “Intensificai as vossas invocações e súplicas. Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos os cristãos”. (Ef 6,18). Também repete a mesma coisa aos Filipenses quando diz: “Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graça” (Fl 4,6). Paulo, ainda, confiando no ministério de intercessão dos colossenses, anima-os e pede a intercessão por ele: “Sede perseverantes, sede vigilantes na oração, acompanhada de ações de graça. Orai também por nós. Pedi a Deus que dê livre curso à nossa Palavra para que possamos anunciar o ministério de Cristo” (Col 4,2-3).
Certamente Paulo era bem conhecedor daquele trecho da profecia de Ezequiel que anteriormente meditamos com ele. E vendo a necessidade, e sabendo como Deus procura as sentinelas, os intercessores, era que ele exortava as comunidades às comunidades a terem firme e perseverante este ministério, que seria para ele sustentáculo, alicerce em relação a vontade de Deus.
Ainda falando dos intercessores vemos através do livro do Apocalipse que eles terão a função importantíssima na vida dos salvos: “Adiantou-se um outro e pôs-se junto do altar, com um turíbulo de ouro na mão. Foram-lhes dados muitos perfumes para que os oferecesse com as orações de todos os santos no altar de ouro que está diante do trono. A fumaça dos perfumes subiu da mão do anjo junto com a oração dos santos, diante de Deus.”
A oração dos intercessores subirá ao trono de Deus, juntamente com a fumaça que sairá dos turíbulos que os anjos trarão na mão como sacrifício de agradável odor ao Senhor.
Nota-se que no livro do Apocalipse os intercessores são chamados de “santos” dando-nos a entender que os íntimos de Senhor são os santos, aqueles que se deixam encher pelo Espírito Santo e se santificar.



Fonte: Portal Carismático
A Santíssima Trindade

A Santíssima Trindade



É o mistério central da fé e da vida cristã. Os cristãos são batizados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
1. A revelação do Deus uno e trino

“O mistério central da fé e da vida cristã é o mistério da Santíssima Trindade. Os cristãos são batizados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Compêndio, 44). Toda a vida de Jesus é revelação de Deus Uno e Trino: na anunciação, no nascimento, no episódio de sua perda e encontro no Templo quando tinha doze anos, em sua morte e ressurreição, Jesus se revela como Filho de Deus de uma forma nova com relação à filiação conhecida por Israel. No início de sua vida pública, também no momento de seu batismo, o próprio Pai testemunha ao mundo que Cristo é o Filho Amado (cfr. Mt 3, 13-17 e par.) e o Espírito desce sobre Ele em forma de pomba. A esta primeira revelação explícita da Trindade corresponde a manifestação paralela na Transfiguração, que introduz o mistério Pascal (cfr. Mt 17, 1- 5 e par.). Finalmente, ao despedir-se de seus discípulos, Jesus os envia a batizar em nome das três Pessoas divinas, para que seja comunicada a todo o mundo a vida eterna do Pai, do Filho e do Espírito Santo (cfr. Mt 28, 19).

No Antigo Testamento, Deus havia revelado sua unicidade e seu amor para com o povo eleito: Javé era como um Pai. Mas depois de haver falado muitas vezes por meio dos profetas, Deus falou por meio de seu Filho (cfr. Hb 1, 1-2), revelando que Javé não é apenas como um Pai, mas que é Pai (cfr. Compêndio, 46). Jesus se dirige a Ele em sua oração com o termo aramaico Abba, usado pelos meninos israelitas para se dirigirem ao próprio pai (cfr. Mc 14, 36), e distingue sempre sua filiação daquela dos discípulos. Isto é tão chocante que se pode dizer que a verdadeira razão da crucificação é justamente o chamar-se a si mesmo Filho de Deus em sentido único. Trata-se de uma revelação definitiva e imediata [1], porque Deus se revela com sua Palavra: não podemos esperar outra revelação, porquanto Cristo é Deus (cfr., por ex., Jo 20, 17) que se nos dá, inserindo-nos na vida que emana do regaço de seu Pai.

Em Cristo, Deus abre e entrega sua intimidade, que seria inacessível ao homem pelas próprias forças somente [2]. Esta mesma revelação é um ato de amor, porque o Deus pessoal do Antigo Testamento abre livremente seu coração e o Unigênito do Pai sai ao nosso encontro, para fazer-se uma só coisa conosco e levar-nos de volta ao Pai (cfr. Jo 1, 18). Trata-se de algo que a filosofia não podia adivinhar, pois, fundamentalmente, só se pode conhecer mediante a fé.

2. Deus em sua vida íntima

Deus não só possui uma vida íntima, mas Deus é – identifica-se – com sua vida íntima, uma vida caracterizada por eternas relações vitais de conhecimento e de amor, que nos levam a expressar o mistério da divindade em termos de processões.

De fato, os nomes revelados das três Pessoas divinas exigem que se pense em Deus como o proceder eterno do Filho do Pai e, na mútua relação – também eterna – do Amor que “sai do Pai" (Jo 15, 26) e “toma do Filho" (Jo 16,14), que é o Espírito Santo. A Revelação nos fala, assim, de duas processões em Deus: a geração do Verbo (cfr. Jo 17.6) e a processão do Espírito Santo. Com a característica peculiar de que ambas são relações imanentes, porque estão em Deus: mais, são o próprio Deus, uma vez que Deus é Pessoal; quando falamos de processão, pensamos ordinariamente em algo que sai de outro e implica mudança e movimento. Posto que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus Uno e Trino (cfr. Gn 1, 26-27), a melhor analogia com as processões divinas pode ser encontrada no espírito humano, em que o conhecimento que temos de nós mesmos não sai para fora: o conceito (a idéia) que fazemos de nós mesmos é distinta de nós mesmos, mas não está fora de nós. O mesmo podemos dizer do amor que temos para conosco. De forma parecida, em Deus, o Filho procede do Pai e é sua Imagem, analogamente como o conceito é imagem da realidade conhecida. Só que esta imagem em Deus é tão perfeita que é o próprio Deus, com toda sua infinitude, sua eternidade, sua onipotência: o Filho é uma só coisa com o Pai, o mesmo Algo, essa é a única e indivisa natureza divina, ainda que sendo outro Alguém. O Símbolo Niceno-Constantinopolitano o expressa com a fórmula “Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro". O fato é que o Pai gera o Filho, doando-se a Ele, entregando-Lhe Sua substância e Sua natureza; não em parte como acontece com a geração humana, mas perfeita e infinitamente.

O mesmo pode ser dito acerca do Espírito Santo, que procede como o Amor do Pai e do Filho. Procede de ambos, porque é o dom eterno e incriado que o Pai entrega ao Filho, gerando-o, e que o Filho devolve ao Pai como resposta a Seu Amor. Este dom é dom de si, porque o Pai gera o Filho comunicando-lhe total e perfeitamente seu próprio Ser mediante seu Espírito. A terceira Pessoa é, portanto, o Amor mútuo entre o Pai e o Filho [3]. O nome técnico desta segunda processão é expiração. Seguindo a analogia do conhecimento e do amor, pode-se dizer que o Espírito age como a vontade que se move em direção ao Bem conhecido.

Estas duas processões chamam-se imanentes, e se diferenciam radicalmente da criação, que é transeunte, no sentido de que é algo que Deus realiza fora de si. Ao serem processões, dão conta da distinção em Deus, enquanto que, ao serem imanentes, dão razão da unidade. Por isso, o mistério do Deus Uno e Trino não pode ser reduzido a uma unidade sem distinções, como se as três Pessoas fossem apenas três máscaras; ou a três seres sem unidade perfeita, como se se tratasse de três deuses distintos, ainda que juntos.

As duas processões são o fundamento das distintas relações que em Deus se identificam com as Pessoas divinas: o ser Pai, o ser Filho e o ser expirado por Eles. De fato, como não é possível ser pai e ser filho da mesma pessoa, no mesmo sentido, assim, não é possível ser, ao mesmo tempo, a Pessoa que procede pela expiração e as duas Pessoas das quais procede. Convém esclarecer que, no mundo criado, as relações são acidentes, no sentido de que suas relações não se identificam com seu ser, ainda que o caracterizem profundamente, como no caso da filiação. Em Deus, posto que nas processões é doada toda a substância divina, as relações são eternas e se identificam com a própria substância.

Estas três relações eternas não só caracterizam, mas também se identificam com as três Pessoas divinas, posto que pensar no Pai significa pensar no Filho; e pensar no Espírito Santo, significa pensar naqueles em relação aos quais Ele é Espírito. Assim, as três Pessoas divinas são três Alguém, mas um único Deus. Não como se dá entre os homens que participam da mesma natureza humana, sem esgotá-la. As três Pessoas são cada uma toda a Divindade, identificando-se com a única Natureza de Deus [4]: as Pessoas são Uma na Outra. Por isso, Jesus disse a Felipe que quem O viu, viu o Pai (cfr. Jo 14, 6), posto que Ele e o Pai são uma só coisa (cfr. Jo 10, 30 e 17, 21). Esta dinâmica, que se chama tecnicamente pericoresis ou circumincessão (dois termos que fazem referência a um movimento dinâmico em que um se intercambia com o outro como em uma dança em círculo), ajuda a perceber que o mistério de Deus Uno e Trino é o mistério do Amor: “Ele mesmo é uma eterna comunicação de amor: Pai, Filho e Espírito Santo, e nos destinou a participar n'Ele" (Catecismo, 221).

3. Nossa vida em Deus


Sendo Deus eterna comunicação de Amor, é compreensível que esse Amor se extravase fora d'Ele em seu agir. Toda a ação de Deus na história é obra conjunta das três Pessoas, posto que se distinguem somente no interior de Deus. Não obstante, cada uma imprime nas ações divinas ad extra sua característica pessoal [5]. Usando uma imagem, poder-se-ia dizer que a ação divina é sempre única, como o dom que nós poderíamos receber da parte de uma família amiga, que é fruto de um só ato; mas, para quem conhece as pessoas que constituem a família, é possível reconhecer a mão ou a intervenção de cada uma, pela marca pessoal deixada por cada uma no único presente.

Este reconhecimento é possível porque conhecemos as Pessoas divinas naquilo que as distingue pessoalmente, mediante suas missões, quando Deus Pai enviou, juntamente o Filho e o Espírito Santo, na história (cfr. Jo 3, 16-17 e 14-26), para que se fizessem presentes entre os homens: “são, principalmente, as missões divinas da Encarnação do Filho e do dom do Espírito Santo as que manifestam as propriedades das Pessoas divinas" (Catecismo, 258). Eles são como as duas mãos do Pai [6] que abraçam os homens de todos os tempos, para levá-los ao seio do Pai. Se Deus está presente em todos os seres enquanto princípio do que existe, com as missões o Filho e o Espírito Santo se fazem presentes de forma nova [7]. A própria Cruz de Cristo manifesta ao homem de todos os tempos o eterno dom que Deus faz de Si mesmo, revelando em sua morte a íntima dinâmica de seu Amor que une as três Pessoas.

Isto significa que o sentido último da realidade, aquilo que todo homem deseja, o que foi buscado pelos filósofos e pelas religiões de todos os tempos, é o mistério do Pai que gera o Filho, no Amor, que é o Espírito Santo. Na Trindade se encontra, assim, o modelo originário da família humana [8] e sua vida íntima é a aspiração verdadeira de todo amor humano. Deus quer que todos os homens constituam uma só família, isto é, uma só coisa com Ele mesmo, sendo filhos no Filho. Cada pessoa foi criada à imagem e semelhança da Trindade (cfr. Gn 1, 27) e está feita para existir em comunhão com os demais homens, e, sobretudo, com o Pai celestial. Aqui se encontra o fundamento último do valor da vida de cada pessoa humana, independentemente de suas capacidades ou de suas riquezas.

Mas o acesso ao Pai só se pode encontrar em Cristo, Caminho, Verdade e Vida (cfr. Jo14, 6): mediante a graça, os homens podem chegar a ser um só corpo místico na comunhão da Igreja. Através da contemplação da vida de Cristo e através dos sacramentos, temos acesso à própria vida íntima de Deus. Pelo Batismo, somos enxertados na dinâmica de Amor da família das três Pessoas divinas. Por isso, na vida cristã, trata-se de descobrir que, a partir da existência ordinária, das múltiplas relações que estabelecemos, e de nossa vida familiar, que teve seu modelo perfeito na Sagrada Família de Nazaré, podemos chegar a Deus: “Procura o convívio com as três Pessoas, com Deus Pai, com Deus Filho, com Deus Espírito Santo. E para chegares à Trindade Santíssima, passa por Maria" [9]. Deste modo, pode-se descobrir o sentido da história, como caminho da trindade à Trindade, aprendendo com a “trindade da terra" – Jesus, Maria e José – a levantar o olhar para a Trindade do Céu.

Giulio Maspero Bibliografía básica

Catecismo da Igreja Católica, 232-267.

Compendio do Catecismo da Igreja Católica, 44-49.

Fonte: Opus Dei
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