domingo, 15 de março de 2015

Quaresma, tempo de misericórdia


“Quero a misericórdia, não o sacrifício” (Mt 9, 13). É muito amor de Deus por nós transcritas nessas poucas palavras. E aqueles que fazem essa experiência com Seu amor, não se arriscam a ficar de fora dele jamais.
Quaresma é justamente esse tempo propício que Deus nos concede para nos aproximarmos Dele, que é misericórdia infinita, com nossos vícios e pecados, para Nele sermos refeitos. Mais do que tempo de ascese e sacrifícios, é tempo de amor de Deus.
Sempre compreendi o período quaresmal como pretexto do Senhor, oportunidade que Ele nos dá por meio da orientação da Igreja de mergulhar no mistério da vontade divina para todos nós. Se formos olhar para as Escrituras, a misericórdia de Deus equivale a própria obediência: “Porém Samuel disse: Tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniquidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei” (1Sm 15:22 -23), Samuel disse isso para o Rei Saul depois de ele desobedeceu as Suas ordens. O Senhor quer com essa palavra nos falar ao coração. De que adianta nossos sacríficos quaresmais, nossa piedosa ascese se não há em nós o desejo contínuo, diário de conversão da própria vida? Se não há em nós caridade com o irmão que sofre? Se não existe compromisso de mudança concreta para a vida toda?
O sacrifício de nada serve se não nos tornar uma pessoa cada vez melhor para os outros!!
Penitência, jejum e oração, como tudo em nossa vida espiritual, devem estar orientados para o amor, devem ser vividos no amor a Deus e aos irmãos. Fora disso é vazio e ilusão! Na mensagem do Papa Francisco para a quaresma do ano passado, ele nos falara da globalização da indiferença e nos lembrara que quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente dos outros, não nos interessam os seus problemas nem as tribulações e injustiças que sofrem; e, assim, o nosso coração cai na indiferença, pois quando estou relativamente bem e confortável, esqueço-me dos que não estão bem!
Portanto, não nos esqueçamos de nesse tempo favorável de conversão e renovação das nossas vidas, procurarmos viver esse período de ascese não como um ritual sem nenhum significado. Que possamos dar sentido ao que iremos viver nesses quarenta dias, em que somos convidados pela Igreja a intensificar nossa vida de oração, acompanhada das práticas próprias de penitência e jejum. Para que ao terminar tenhamos conseguido vencer nosso egoísmo e indiferença uns pelos outros.

Tenhamos todos uma santa e abençoada quaresma!


Julineide Mendes


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