domingo, 4 de janeiro de 2015

Louvor: Segredo da Felicidade



A Palavra de Deus é clara: o Senhor pede àqueles que o amam que vivam sem cessar no louvor e na ação de graças. “Recitai entre vós salmos, hinos e cânticos espirituais. Cantai e celebrai de todo o coração os louvores do Senhor. Rendei graças, sem cessar e por todas as coisas, a Deus Pai, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo!” (Ef 5,19-20).
Vivei sempre contentes. Orai sem cessar. Em todas as circunstâncias, dai graças, porque esta é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo.” (1Tes 5,16-18).
Não se trata, portanto, apenas em louvar de tempos em tempos mas de viver num estado de louvor, de ter um coração perpetuamente voltado para Deus pela ação de graças.
Um dom de Deus

Tal exigência da parte do Senhor pode parecer quase impossível de realizar. Esse é o caso, se nos apoiamos somente em nossas forças. Felizmente, sabemos que Deus não nos deixa sozinhos: Ele deseja nos dar gratuitamente aquilo que nos pede para praticar. E para Ele, nada é impossível! (cf. Lc 1,37). Se queremos colocar sua palavra em prática e louvá-lo sem cessar, abramos nosso coração à sua graça: o louvor é antes de tudo um dom de Deus, obra de seu Espírito em nossos corações.
Mas por que Deus nos pede para louvar? Certamente não para Ele mesmo. Como diz o Prefácio Eucarístico nº IV: “Tu não precisas de nosso louvor, entretanto és tu quem nos inspiras a render-te graças; nossos cantos não acrescentam nada àquilo que tu és, mas eles nos aproximam de ti por Cristo nosso Senhor”. Se somos chamados a louvar a Deus, não é para aumentar a sua glória que já é infinita, mas para nos aproximar dele. Na verdade, somos os principais beneficiados de nosso louvor! Ele é a expressão da nossa fé, da nossa esperança e do nosso amor; o louvor nos une mais e mais ao Senhor e nos conduz pouco a pouco à perfeição como o explica S. Tomás de Aquino: “Nós testemunhamos a Deus honra e reverência não para Ele mesmo, porque Ele é pleno de uma glória a que a criatura nada pode acrescentar, mas por nós mesmos; porque reverenciar a Deus e honrá-lo, é de fato submeter-lhe nosso espírito, que encontra nisso sua perfeição. Toda coisa com efeito, encontra sua perfeição na submissão àquele que lhe é superior”. (Suma Teológica, 2 a, 2ae, Q.81, art7).
Para crescer no amor

Há uma ligação muito estreita entre o louvor e o amor. O amor de Deus nos impulsiona a louvá-lo. Podemos dizer que o louvor é uma das expressões do primeiro mandamento: “Tu amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração...” (Mt 22,37; e também Dt 6,5). Isso por que nossa dificuldade e nossa preguiça em louvar devem nos interrogar: se nós louvamos pouco ou com dificuldade, não será porque amamos pouco ou insuficientemente? “Quando tu descobrires o amor infinito de Deus pelo mundo, tu não pensarás mais em teus sentimentos estreitos, tu estarás todo ocupado em admirar, cantar e louvar esse amor. Tu viverás nele, e tu te perderás nesse infinito. A prece nasce da contemplação do Amor...” (P. Jean Lafrance, Prie ton Père dans le secret). Ao mesmo tempo, o louvor faz crescer o nosso amor. Quanto mais louvamos a Deus, mais Ele se revela a nós e mais o nosso coração é impulsionado a amá-lo.
É o amor que pode explicar e justificar o louvor em todo tempo, pois nosso amor por Deus, se é real e verdadeiro, não depende das circunstâncias exteriores da nossa vida. Como o afirma o autor da Imitação de Cristo: “Esses que amam Jesus por Ele mesmo, e não por eles mesmos, o bendizem em todas as tribulações, tanto na angústia do coração como nas consolações mais doces. E quando Ele não deseja consolá-los, mesmo assim, eles o louvarão e sempre lhe renderão graças.
Nosso exercício aqui....

Compreendemos então que o louvor nos prepara para a visão beatífica quando estaremos para sempre, num coração a coração de amor com o nosso Criador. Através do louvor entramos, desde agora, na felicidade à qual Deus nos destina. “Toda nossa vida presente aqui, explica Santo Agostinho, deve transcorrer no louvor de Deus, porque louvar a Deus será também a alegria eterna de nossa vida futura. Ora, ninguém pode tornar-se apto para a vida futura se desde já não se prepara para ela. É por isso que desde hoje nós louvamos a Deus”. (Comentário do Sl 148). Essa felicidade eterna consiste em comungar da felicidade infinita que é a vida da Trindade. Porém, não precisamos atingir o além para entrar nessa felicidade. O amor nos permite entrar aí agora, como nos convida Charles de Foucauld: “Alegrai-vos! Alegrai-vos pelo amor! O Bem-Amado está feliz, alegremo-nos por sua felicidade. Que nosso coração lute na alegria e na paz, porque esse que nós amamos mais que nós mesmos está numa felicidade e numa paz infinitas, perfeitas, imutáveis. O amor consiste não em sentir que amamos, mas em querer amar.
Deus é infinitamente feliz e é essa a razão da nossa alegria. Se Ele é feliz, nós somos felizes!
O oxigênio do mundo

Cardeal Danneels Queridos irmãos e irmãs, talvez alguns entre vocês se perguntem: Para que serve esse louvor, essa benção? Em que isso nos diz respeito ? Em que isso muda o curso da história e do mundo? Talvez estejamos poucos convencidos do valor da “adoração secreta”, do louvor sem razão aparente. Por isso eu vos falo: louvem a Deus todos os dias, durante um hora e então me digam se nada muda em vocês, na sua família, e mesmo no mundo.Nosso mundo morre, não devido a nossa inatividade, mas devido a falta de oxigênio, que é o louvor e a oração gratuita. Somos demasiadamente ativos e, por esse mesmo motivo, quase que asmáticos: nós não respiramos. E então, o que podemos esperar do mundo de alguém que respire a custa de muito esforço?... Cada vez que Deus vem ao encontro do homem, da família, da história, da sociedade, algo maravilhoso acontece. O quê? Ele nos salva desse sentimento de ativismo e preocupação exagerada, pois se falta esse espaço de louvor e de benção dentro da nossa vida, nos tornamos homens ansiosos, isolados, melancólicos, complemente sós, nos sentimos sobrecarregados, oprimidos, e por isso falta-nos a alegria. Por quê? Porque um homem solitário é sempre um homem triste.


Jean-Luc Moens e Pe. Alain Dumont
Artigo transcrito da Revista Il est Vivant nº 157.

Fonte: Com Shalom
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