segunda-feira, 14 de julho de 2014

Celebramos São Camilo de Lellis


Nossa Santa e amada Igreja celebra hoje os 400 anos da morte de São Camilo de Lellis, junto com ela alegra-se a Comunidade Católica Filhos de Sião no qual temos São Camilo como nosso Baluarte.

As cinco misericórdias que Deus proporcionou a São Camilo

Enquanto Camilo levava seu ritmo de vida no Hospital do Espírito Santo, Deus quis, para aperfei­çoar e purificar o seu servo, qual ouro no cadinho, e também para que sentisse em si as palavras de S.Paulo: “Quem fraqueja, sem que eu também me sinta fraco?” enviar-lhe grande falta de apetite. Essa foi a última das misericórdias – assim Camilo chamava as suas enfermidades – com as quais foi generosamente agraciado por Deus nesta vida.

 Quando jovem, a primeira misericórdia com que o céu o agraciou foi uma chaga incurável numa das pernas, que não só o levou a conhecer os hospi­tais, onde teve início a nossa Ordem,(Ordem dos Camilianos) mas também lhe serviu de exercício de paciência. A chaga secretava uma quantidade de líquido que chegava a uma libra por dia, tanto assim que molhava as gazes, as faixas, as meias e chegava até o sapato, ficando com o pé quase sempre molhado. Precisava de uma quantida­de incrível de gazes, que eram preparadas por senho­ras suas amigas em várias cidades e, em Roma, pelas reverendas irmãs de Torre di Specchio, pela senhora Prudentina Diaz e pela Duquesa Sforza, que não se dedignava de prepará-las com suas próprias mãos pela gran­de admiração que lhe tinha. Carregou essa cruz durante 46 anos, aproximadamente. Dela tirou o seguinte proveito, isto é, pensou que fora enviada por Deus para que ficasse continuamente preso nos hospitais. Embora, na opinião dos médicos, a chaga fosse de natureza desconhecida e fora do normal, escapando ao alcance da me­dicina, por ser pútrida, corrosiva e profunda, cercando quase toda a perna, o pus que dela saía, embora muito, não exalava mau cheiro e não exigia outro tratamento que gazes, faixas e unguento basílico. Uma senhora de Gênova, que lavava as faixas, observou que a água que usava, mesmo, depois de vá­rios dias, não cheirava mal, antes, exalava cheiro agradável, deixando no fundo da bacia uma sedimentação amarela.

A segunda misericórdia foi que, quando mordomo do Hospital S. Tiago, pelo muito esforço que fazia, dia
  noite, para cuidar dos doentes, contraiu uma grande hérnia que o obrigou a usar continuamente um cinturão de ferro, que lhe causava tanto incômodo que, como ele próprio dizia, só quem sofria dessa enfermidade podia acreditar. Carregou esta cruz durante, pelo menos, 38 anos. Dela tirou este proveito: pensou que, tendo sido vendido e dado por Deus como escravo aos pobres, devia, como sinal de es­cravidão, estar sempre amarrado e acorrentado.

A terceira misericórdia foram dois calos enormes na sola do pé da perna doente, que lhe causavam tantas dores, que as estradas lhe pareciam atapetadas de espinhos e abro­lhos. Quando.’mancava, não era tanto pela dor da chaga, quanto pelo  incômodo dos calos que, às vezes, aumentava tanto que, nas viagens, não conseguia apoiar o pé no estribo e devia usar uma bolsa cheia de palha em lugar do estribo. Carregou esta cruz durante 25 anos, aproximadamen­te. Dela tirou o seguinte proveito: o bom Padre achava que Nosso Senhor queria que, a cada passo que dava, lembrasse que a terra não era a sua pátria e, pensando no céu, se apres­sasse em ganhar o pálio e a coroa.

A quarta misericórdia foi quando, em Nápoles, sofreu grande dor nos lados e lhe causou tantas pedras nos rins que, de tanto em tanto e com muita dor, expelia uma do tamanho de um pequeno caroço de azeitona e, às vezes, foi preciso arrancá-la com pinças. Carregou esta cruz durante dez anos e dela tirou o se­guinte proveito: achava que Deus lhe tinha mandado esta enfermidade para que se acostumasse a servi-lo sem alegria, antes, com extremo sofrimento e aflição corporal, que, dizia, é sinal de verdadeiro amor, pois, é preciso servir a Deus com mais constância e fervor, quando a alma se sente esmagada por dores e enfermidades corporais, árida e sem qualquer satisfação espiritual. Esta foi quase uma constante na vida de Camilo, pois raramente era alimentado e banqueteado com satisfações e alegrias, coisa que Deus costuma dar a outros servos seus. O mais das vezes, caminhou pela estrada pedregosa da aridez e do abandono.

A quinta e última misericórdia foi a que lhe enviou por último, isto é, uma falta de apetite tão grande que qualquer alimento que tomasse não lhe proporcionava nem satisfação, nem forças, que, aliás, iam diminuindo. Antes, sentia náusea, mau cheiro e repulsa. Esta falta de apetite aumentou tanto que o levou à morte. Dizia que, ao comer qualquer coisa, sofria não um martírio, mas três, isto é, um quando pensava em comer, podendo repetir como Jó: “Antes de comer suspiro”; outro, quando comia; e outro, quando, após comer, acabava quase sempre vo­mitando, tamanha a dificuldade que tinha de segurar a comida. De fato, sua aversão à comida era tanta que, às vezes, bastava não só ver, mas também falar em comida para se sentir indisposto. Apesar de tudo, fazia violência contra si mesmo e procurava comer por amor de Deus. Às vezes, dizia a si mesmo: “Pois sirva pelo que comeste com tanto apetite!” Carregou esta cruz durante trinta meses. Antes, foi esta que se impôs, o derrotou e levou ao túmulo. Enquanto viveu, tirou desta enfermidade o seguinte proveito, isto é, compreendeu que tinha chegado o momento de partir e o fim de sua peregrinação e Deus queria que não sentisse mais prazer neste mundo. Resultou que descuidou deste mal, dom do céu, e não lhe deu a devida importância no começo. Procurou escondê­-lo, com medo de cair nas mãos dos médicos, de precisar de tratamento especial e ter que deixar as suas atividades de caridade. Dizia que isto seria o seu maior sacrifício, pior que qualquer mal e doença. Sem se preocupar consigo mesmo, procurava trabalhar como se fosse um jovem de trinta anos, quando, na realidade, estava com mais de 60.


Texto de : Instituto Camiliano de Pastoral da Saúde
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