terça-feira, 28 de janeiro de 2014

O desafio da nova Evangelização


Como discípulos de Jesus, não temos outra coisa a fazer senão evangelizar. E começar sempre tudo de novo. O que fizemos até o presente momento é pouco. Tudo está para ser refeito. Nossa janela se abre para o tema da Nova Evangelização. Transcrevemos algumas linhas da Introdução do livro La Sfida dela Nuova Evagelizzazione (Walter Kasper e George Augustin, versão italiana, p. 8ss).

“O desafio central da nova evangelização consiste na crise de fé dos cristãos e da própria Igreja. Um certo ofuscamento da transcendência, também na igreja, é o problema central. Tendo perdido de vista o essencial, ocupamo-nos quase que exclusivamente com problemas secundários. Há a crítica interna da Igreja, debate a respeito de suas estruturas, as disputas sectárias, a formação ad intra, tudo isso pode ocultar o verdadeiro rosto da Igreja. Desta forma, pode acontecer que as pessoas se restrinjam à dimensão horizontal. E, no entanto, somente a dimensão divina pode conferir-lhe capacidade duradoura de atração e fazer com que as pessoas se liguem positivamente à comunidade salvífica que é Igreja. De fundamental importância que essa dimensão vertical permaneça viva e seja reconhecível o princípio da encarnação, o divino e o humano, num recíproco dinamismo.
A nova evangelização começará antes de tudo no interior da Igreja e de cada um dos cristãos. “Senhor, renova a tua Igreja, a partir de mim” (São Francisco de Assis). Precisamos aprender a colocar de novo Deus no centro. Somente a clara opção em favor de Deus pode encher a Igreja de nova vida. Somente uma Igreja evangelizada pode de novo evangelizar. A evangelização interna da Igreja significa, em primeiro lugar, formar e aprofundar a fé dos fiéis, de sorte que estejam em condições de darem a razão de sua fé. Assim, a Igreja se tornará uma Igreja orante e adoradora de Deus. Estruturas e reformas estruturais serão feitas à luz desta pergunta: Como podemos manter a Igreja permeável à mensagem de Jesus Cristo? O pressuposto fundamental para tanto consiste na evangelização das próprias estruturas eclesiais, no formá-las e plasmá-las segundo o espírito de Jesus. Deveremos aprender a conhecer e apreciar a multiformidade e riqueza da Igreja Católica. Somente assim descobriremos que estamos unidos com os outros e para os outros em sua complementaridade e juntos daremos conta da urgência de uma nova evangelização.

A nova evangelização será bem-sucedida ali onde os cristãos forem capazes de ir além das questões cotidianas políticas, organizacionais, estruturais da Igreja e puderem dar uma resposta plena de fé católica aos problemas autênticos e essenciais das pessoas. As estruturas da Igreja não são fim em si mesmas, mas sistemas capazes de manterem a fé viva e criar condições necessárias para tornar a salvação experimentável. Esta função, ela só realiza se encontrar forças no encontro com Deus. Haveremos de nos empenhar com todas as forças para que a atual imagem fenomênica da Igreja, como “cristianismo cultural”, atrelado à liturgia, seja superada e a Igreja se torne de novo experimentável como uma comunidade de fé que glorifica a Deus. A Igreja como comunidade de fé deve perguntar-se, fazendo uma autocrítica: Por que tantas pessoas interessadas na religião buscam respostas às suas interrogações fora da Igreja? Por que perdemos a confiança por antecipação?

Frei Almir Ribeiro Guimarães
http://www.franciscanos.org.br
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