quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Francisco, o jovem de Assis



Francisco nasceu em 1182 em Assis, na Itália. Seus pais eram Pedro e Dona Pica de Bernardone,  ricos e comerciantes. O pai era um homem de negócios, vivia preocupado com o prestigio da família. Era ganancioso. Além disso, sonhava com um titulo de nobreza para o filho.
Os jovens naquele tempo, vivendo numa cidade como Assis eram fascinados pelos os ideais militares. Francisco e os amigos de farra eram fãs das historias e as aventuras  do rei Arthur.
Se o pai, Pedro, ganhava para acumular, Francisco ganhava para repartir. Aprendeu com a mãe a gentileza e a bondade do coração, o gosto pelas coisas belas, a paixão pela musica, a poesia, a alegria de viver.
A oportunidade não tardou a surgir para Francisco mostrar a sua capacidade de cavaleiro, de soldado. Foi em 1202, quando ele tinha 20 anos. As cidade naquele tempo viviam em constantes disputas.
Francisco e os companheiros de festas, que igualmente sonhavam com as façanhas e honras militares, não perderam tempo e participaram da guerra. Em sua maioria esses jovens foram feitos  prisioneiros. Entre eles Francisco. amargou um ano de cadeia, onde adoeceu. Aí teve tempo  para refletir sobre a fragilidade das coisas terrenas e a brevidade da vida. Não perdeu porem o habitual bom humor, animando a todos.
Após um ano de prisão, foi libertado, retornando a Assis. Demorou pouco tempo, ate que Francisco tomasse consciência do emaranhado  de vaidades, desejos de grandezas, de honra e gloria mundana que ainda o mantinha aprisionado.
Francisco continua nesta vidinha “ até que Deus o olhou do céu”, como diz Thomaz de Celano, o confrade e biografo. Até esta época Francisco ignorava os planos que Deus lhe reservara. Não tinha ainda adquirido o gosto pelas as coisas de Deus.

Que queres que eu faça?

Mais ou menos três anos após ter tomado parte da guerra entre Assis e Perugia, Francisco demonstrava não ter aprendido a lição. Estava sempre pronto para outra. Era o ano de 1205. Bem disposto e brincalhão, como sempre, já montado em seu cavalo, falava para quem o quisesse ouvir: “voltarei como príncipe!”. Mas o jovem Francisco não vai longe. Em Espoleto, onde passa a noite, em sonho ouve Deus lhe dizer, em tom familiar:
_ Francisco, quem pode fazer mais por ti? O Senhor ou o servo?
_Naturalmente que é o Senhor, responde Francisco.
_ Por que, então, abandonas o Senhor para seguir o servo?
_ Senhor que queres que eu  faça?, pergunta Francisco, com certa impaciência:
_ Volta para Assis, lá será dito o que fazer.
Não deve ter sido fácil o retorno a Assis. Estava contrariando o projeto de conseguir o titulo de nobreza. Desafiava os sorrisos de deboche e a ironia de vizinhos, os comentários maliciosos, a chateação do pai, e levava muitas duvidas no coração. Trazia, contudo, a esperança e a certeza de que Deus tinha algo de especial para ele.
Iniciava-se um tempo de busca, de escuta, de silencio, de oração, de paciência e de ativa espera. Pode-se dizer que até então Francisco era um cristão “normal” como tantos outros: fazia alguma oração; ia à Missa aos domingos; dava esmolas aos pobres, etc.
Não havia, porém buscado apaixonadamente conhecer e pôr em prática a vontade de Deus.
Deus possui uma paciência infinita. Revelou-se lentamente a Francisco, sem pressa, passo a passo.

O amargo que se torna doce

Francisco não ficou sentado, de braços cruzados, à espera do que Deus lhe queria revelar. Buscou descobrir a vontade Dele nos sinais, nos acontecimentos e, sobretudo, gastou os joelhos na oração, acompanhada da ajuda fraterna aos pobres. Isso aguçou em Francisco a docilidade, a sensibilidade. Tudo lhe falava.
Procurava não gastar tempo com futilidades em que Deus certamente não se encontra. Andava ansioso à procura da vontade de Deus.
Um dia, andando a cavalo nos arredores de Assis, Francisco inesperadamente depara com um leproso, que, o olha assustado. O primeiro impulso de Francisco foi galopar para longe, fugir.
Tinha nojo só de ver essas pessoas deformadas pela lepra. Francisco quis jogar-lhe alguma moeda, como já havia feito antes com outros leprosos. Misteriosa força interior, contudo, impeliu-o a apear do cavalo e ir ao encontro do leproso para abraçar e beijar aquele irmão rejeitado por todos. Foi isto que ele fez.
Esse foi o momento especial da graça de Deus que lhe revolucionou a vida e deu o empurrão decisivo rumo à vocação e conversão do jovem de Assis.
Com esse gesto, Francisco sepultou, de vez, o medo, o comodismo de quem não consegue aceitar o Evangelho integralmente. O gesto de Francisco aproximou-o decisivamente do Cristo pobre e sofredor, presente no irmão leproso. O leproso foi quem ajudou Francisco a definir a sua vocação. Deus se revelou através de alguém que, em princípio, não tinha nada para oferecer.
 Ao abraçá-lo e beijá-lo, Francisco foi presenteado. O encontro com o leproso, tornou-se para Francisco,  a chave para compreender o Evangelho. O infeliz era a lembrança viva do Cristo crucificado, o encontro com o Cristo que sofre em cada homem e mulher.
Anos mais tarde, antes de morrer, Francisco escreveu, no testamento, a respeito dessa experiência:
“Foi assim que o Senhor me concedeu a mim, Frei Francisco, iniciar uma vida de penitência: como eu estivesse em pecado, parecia-me por demais insuportável olhar para os leprosos. Mas o Senhor conduziu-me para o meio deles e eu tive misericórdia para com eles. E, ao afastar-me deles, justamente o que antes me parecia amargo converteu-se para mim em doçura da alma e do espírito”.
A partir daí, Francisco já se transformara. Sentia no coração uma alegria, uma paz difícil de expressar. Sentia-se mais leve, mais próximo de Deus. Encontrara o Cristo vivo, sofredor, naquele irmão leproso.

Excertos do livro Francisco, o irmão sempre alegre

Frei Jorge Egidio Hartmann, OFM
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