terça-feira, 21 de maio de 2013

A Festa de Pentecostes


Pentecostes vem do grego “he pentekoste (hemera)”, ou seja, “o quinquagésimo dia”. É uma das três festas dos israelitas citadas em Ex 23,14-17, onde é simplesmente chamada de festa da colheita. Em Ex 34,22 é chamada de festa das semanas; em Lv 23,15-21, a festa é calculada pela contagem de sete semanas desde o começo da colheita do trigo (da ceifa) e é um dia de observância sabática; em Nm 28,26-31, é chamada de festa das semanas e em Dt 16,9-12, a festa da semanas ocorre sete semanas após o começo da colheita do trigo, semelhante ao que ocorre em Lv 23.

Como é descrito, o Pentecostes é evidentemente uma festa agrícola, sem nenhum motivo histórico. É provável que seja mais tardia, quanto à origem, do que a Páscoa e não tenha tomado forma até que os israelitas se tornaram uma comunidade agrícola em Canaã. A data da festa em sua celebração original deve ter sido indefinida, visto que o começo da colheita do trigo não pode ser fixado em um dia determinado do calendário. O começo da colheita do trigo corresponde com a festa dos Ázimos. Quando as festas da Páscoa e dos Ázimos foram fundidas e fixadas no décimo quarto dia do mês de Nisã, a festa das semanas recebeu uma data regular no calendário, sete semanas (cinquenta dias) após a Páscoa.

No judaísmo, a festa recebeu um motivo histórico, tornando-se o aniversário da outorga da Lei a Moisés. Este motivo não aparece com certeza até antes do início da era cristã. Os estudiosos suspeitam que o antigo calendário de festas israelitas continha uma festa que era uma renovação da aliança e que o motivo judaico da outorga da Lei tivesse suas raízes numa prática muito mais antiga.

Com os acontecimentos de Pentecostes relatados no capítulo 2 dos Atos dos Apóstolos, Lucas faz a nova comunidade de fé apresentar-se publicamente: a descida do Espírito Santo sobre os discípulos, o dom das línguas, o discurso de Pedro e a formação da primeira igreja cristã. É “o nascimento da igreja universal”.

Os antecedentes do dom das línguas do Pentecostes aparecem em passagens do Antigo Testamento como Nm 11,25-29; 1Sm 10,5-6. 10-19 e 19,20-24. Nesses episódios os anciãos e Saul, sob o impulso do Espírito, “profetizaram”, o que, no contexto, parece significar discurso ininteligível, “uma língua estrangeira”. Sob o impulso do Espírito dado por Jesus, o mesmo carisma aparece na Igreja, mas numa forma superior. Mediante a efusão do Espírito, a Igreja recebe poderes para dirigir-se a todas as nações e ser compreendida por elas. Há, possivelmente, uma alusão implícita à história da Torre de Babel, na qual a humanidade foi dividida pela diversidade de línguas. A unidade perdida é restaurada na Igreja, que fala todas as línguas, mas é uma sociedade unificada.

A efusão do Espírito caracteriza a Igreja na pregação do evangelho. O discurso de Pedro é a primeira pregação do Evangelho. Lucas apresenta deliberadamente o contraste entre o grupo passivo e despreparado, reunido antes da descida do Espírito, e o ativo e eloquente orador que aparece no Pentecostes. Por meio do Espírito, a Igreja se sente autorizada a cumprir a missão que lhe fora destinada por Jesus. A narrativa conclui com a descrição da comunidade de Jerusalém, a primeira ekklesia, que é fruto da manifestação do Pentecostes.

Portanto, a festa israelita do Antigo Testamento se transforma na grande festa cristã do Novo Testamento. A festa das semanas que comemorava a colheita do trigo, sustento da sociedade israelita, agora é a festa da colheita dos dons de Deus, sustento da Igreja e do povo cristão.


Fontes: McKENZIE, John L. Dicionário Bíblico. Paulus: São Paulo, 1983. LENZENWEGER, Josef; STOCKMEIER, Peter; BAUER, Johannes B.; AMON, Karl e ZINNHOBLER, Rudolf. História da Igreja Católica. Loyola: São Paulo, 2006. Catecismo da Igreja Católica.

Fonte :http://www.portadeassis.com.br
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