quarta-feira, 28 de novembro de 2012
O amor de Deus

O amor de Deus



Uma das belas diretrizes de Cristo é, sem dúvida, esta: “Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor” (Jo 15,9). Cumpre, de plano, refletir sobre o amor do Pai por Jesus, seu Filho amado. O próprio São João escreveria mais tarde que “Deus é amor” (1 Jo 4,8).
Deus não é um Ser solitário no céu, nem tão pouco Ele é uma projeção do super ego do homem, ou seja, da instância da personalidade formadora de ideais humanos. È uma Trindade de Pessoas unidas, desde toda a eternidade, pelo vínculo de um amor infinito. Aí o fundamento da assertiva de Cristo que lança cada homem ou cada mulher numa verdade maravilhosa, inimaginável, ou seja, a criatura racional é transportada para o reino do amor trinitário e passa a pertencer à verdadeira família de Deus.
Revelação impressionante e consoladora! Entretanto, em seguida, Jesus mostra como viver esta realidade: “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor” (v. 10). Isto foi bem decodificado por São João: “Aquele, porém, que guarda a sua palavra, nele o amor de Deus é verdadeiramente perfeito. É assim que conhecemos se estamos nele” (1 Jo 2,5). De fato, prova-se o amor não por meio de vocábulos, mas pelas obras.
Já ensinava o Teólogo do Amor: “Não amemos por palavras nem apenas pela língua, mas com ações e em verdade” (1 Jo 3,18). É que a verdadeira dileção é afetiva e efetiva. Sob o ponto de vista da afetividade cumpre atos de complacência, de conformidade com a vontade de Deus, de amizade íntima com o Ser Supremo, de mútua entrega, de união profunda com o Sumo Bem. Como o sol entre as estrelas, tal atitude lança sua claridade e sua formosura em todas as atividades humanas. Para se chegar a este estágio cumpre, outrossim, o amor efetivo traduzido num arrependimento sincero de todas as faltas contra os Mandamentos, numa fuga corajosa de todas as ocasiões perigosas que poderiam afastar o cristão de seu Senhor.
É preciso também o exercício contínuo das virtudes morais, removendo obstáculos, mortificando as paixões, exercitando a paciência, a abnegação, a humildade, a pureza de consciência, enfim, tudo que Cristo compendiou no Sermão da Montanha. Disto resulta a estabilidade no amor prescrita pelo Redentor, donde uma união permanente com o Criador de tudo, tendo nele sempre o pensamento, submetendo-se inteiramente à Sua vontade, subordinando todos os afetos do coração ao amor divino, estando todas as energias postas a serviço de Deus e salvação do próximo.
Com efeito, quem ama a Deus deseja que Ele seja amado por todos e é nisto que consiste o penhor da redenção eterna. Tal maneira de ser é transformante. Assim como o fogo com sua atividade metamorfoseia o ferro e queima todas as suas escórias, do mesmo modo, a caridade na alma a transforma espiritualmente em Deus, a purifica de todas as mazelas e imperfeições. O amor faz semelhantes os que se amam.
A caridade divina irradia a semelhança celestial nos que a possuem. Daí o aumento das energias para o bem. Lemos na Bíblia: “O amor é forte como a morte [ ... ] Suas centelhas são centelhas de fogo, uma chama divina” (Ct 8,6). Eis por que quem vive tudo isto se imerge num júbilo inenarrável, alegria interna, felicidade indescritível.
Passa o cristão a degustar na terra um pouco da ventura do céu, onde verá e amará a Deus como Ele Imperturbabilidade passa a gozar o coração que, desta maneira, ama o Sumo Bem. Isto está assegurado pelo salmista que assim se dirige a Deus: “Grande paz têm aqueles que amam vossa lei: não há para eles nada que os perturbe” (Sl 118,165).
Para se conseguir tão excelso objetivo cumpre refletir que Deus é amabilíssimo pela sua imensa sabedoria, pela sua ampla onipotência, pelos dons que ininterruptamente concede a cada um. Eis aí o fundamento da dileção ao próximo no qual se passa a perceber ao vivo a presença de Deus, verdade muito bem lembrada por São João: “Se alguém disser: Amo a Deus, mas odeia seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê.
Temos de Deus este mandamento: o que amar a Deus, ame também a seu irmão” (1 Jo 4, 20-21). Aí está o motivo ontológico e teológico pelo qual o amor a Deus e ao próximo estão intimamente associados. São Paulo então nos aconselha: “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, a não ser o amor recíproco; porque aquele que ama o seu próximo cumpriu toda a lei” (Rm 13,8) e cumprir a lei é a prova do amor a Deus.

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho Prof. no Seminário de Mariana de 1967 a 2008.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
O que é o purgatório?

O que é o purgatório?



O purgatório é uma das realidades que acontecem depois da morte. É um dogma de fé da Igreja e quem não o aceita, não pode se dizer completamente católico. Depois da morte, que é a separação do corpo e da alma, acontece o juízo particular. Ali, a alma é julgada por Deus e tem dois destinos: a eternidade feliz (o céu) ou a eternidade infeliz (o inferno). No céu só entram os puros, e a Palavra é muito clara: “Os puros de coração verão a Deus”. O purgatório, então, é uma antessala do céu. As pessoas que morreram arrependidas de seus pecados e se confessaram, não vão para o inferno. O que as leva para lá é a culpa dos pecados, mas estes também tem as penas temporais, que é o estrago que ele próprio causou à pessoa, à sociedade e à Igreja como um todo. Então, essa pessoa tem de passar por um processo de purgamento (daí o nome purgatório; de purificação) para ver a Deus.

O que acontece com as almas enquanto estão neste lugar?

Quando acontece a morte, acaba-se o chamado 'merecimento'. Você não merece mais nada, só pode esperar na misericórdia de Deus e na oração dos vivos. As almas ficam no purgatório por um tempo, mas é claro que o tempo do Senhor é bem diferente do nosso, pois estamos falando de uma realidade pós-morte, quer dizer, num sentido atemporal. Quando dizemos tempo, quer dizer que tem uma duração, ou seja, um início e um final. As pessoas ficam submetidas à misericórdia divina, purgando todas as penas desses pecados até poderem, livremente, ver a face de Deus na glória que nós chamamos de céu.

Como se determina esse tempo?

Esse tempo é determinado de acordo a gravidade dos pecados cometidos e as suas consequências, que são as penas. Muitos santos tiveram a graça de Deus, como Santa Catarina de Gênova e o próprio São Francisco, de serem levados em êxtase ao purgatório; e todos são unânimes em dizer que é um lugar de grande sofrimento. Mas lá existe uma coisa que não existe no inferno, a esperança. Se as almas recebem orações daqui e as aceita, claro que esse purgatório pode ser diminuído. São os mistérios da misericórdia de Deus.

Estando lá, as almas podem ainda obter salvação?

Frei Josué: Sim, elas não vão mais para o inferno. Essa é a grande alegria; por isso não se desesperam. Elas sabem que ofenderam a Deus, pois ali se tem consciência total da gravidade dos pecados. Por isso, cada vez que formos pecar aqui na terra, devemos pensar, porque é desesperador saber que Deus está ali, atrás da porta, mas você não consegue vê-Lo. A única coisa que consola uma alma é a visão beatífica de Deus. Então, de um lado há um grande esforço de querer ver Deus; por outro, um reconhecimento profundo de que não se está preparado ainda. É um dilema, uma dor; e essa dor é purgativa, cura e faz com que ela pague todo o castigo merecido pelas penas dos seus pecados.

Todos nós passaremos por este lugar?

Uma coisa muito importante é sabermos que existe o arrependimento perfeito. Um exemplo disso é Dimas, o bom ladrão que está ao lado de Cristo na crucifixão. Ele teve um arrependimento tão perfeito, que o Senhor lhe disse: “Ainda hoje estarás comigo no Paraíso”(Lc 23,43). Por outro lado, alguns textos da Palavra de Deus como Mateus, capítulo 5, diz assim: “Entrem em acordo, sem demora, com o seu adversário, enquanto ainda estás em caminho com ele, para que se suceda que te entregue ao juiz e o juiz te entregue ao ministro e te seja posto em prisão. Em verdade eu te digo, dali não sairás antes de ter pago o último centavo” (cf. Mt 5,25-26). Este é o purgatório.

Para a maioria de nós é muito difícil, mesmo diante de confissão e tanto conhecimento, fazer um ato de arrependimento perfeito, arrepender-se de coração. Elas pensam assim: “Eu preciso ir para o céu, tenho de me arrepender”. Mas, muitas vezes, elas sentem vergonha de ter feito aquilo, mas não de ter ofendido a Deus. A contrição perfeita, que nos livra do purgatório, é essa consciência que as almas do purgatório tem: “Eu ofendi a Deus, não podia ter feito isso. Ele me deu tanto amor, tanta graça necessária para a minha salvação, mas eu não aproveitei. Eu mereço isso, eu merecia o inferno”. É um misto de contrição e esperança. Então, se vai passar pelo purgatório ou não, depende da contrição perfeita. Por isso, é importante confessar-se sempre.

Ele pode se tornar definitivo para algumas almas?

Não. Inclusive, quando Jesus voltar, ele eliminará o purgatório; só haverá o céu e o inferno.

Até mesmo os santos tem a obrigatoriedade de fazer essa passagem? E O que é um santo?

É aquele que praticou as virtudes em grau heróico. Muitas pessoas são santas e estão no céu, mas não são canonizadas. Quando a Igreja canoniza um santo, está dizendo que ele é um modelo perfeito, uma pessoa bem parecida com Cristo. Então, esse processo de purificação já foi pago aqui. Eu preciso falar também que existem três realidades que nos ajudam a evitar ou até a cortar o próprio purgatório. A primeira é a caridade, pois a Palavra diz que a caridade apaga uma multidão de pecados. Então, a pessoa que é muito caridosa, faz muito bem aos pobres por amor a Jesus – e essa é a verdadeira caridade –, ela paga muito do seu purgatório aqui na terra.

Uma outra graça é aceitar os sofrimentos com paciência. Se aceita com paciência, humildade, já estão vivendo aqui o seu purgatório. Uma outra forma são as indulgências plenária ou parcial, porque elas perdoam as penas dos pecados. Se a Igreja determina que um tempo seja de indulgência e você faz algumas práticas de piedade, como uma hora de adoração e a oferece nas intenções do Santo Padre, você ganha indulgências, ou seja, o perdão das penas. O seu purgatório está sendo evitado. Você também pode aplicar essas indulgências às almas dos seus falecidos, que você deve sempre rezar por elas.

O que leva uma pessoa para o céu ou para o inferno segundo a Igreja?

O que determina é a recompensa que cada um receberá das suas obras. Deus retribuirá a cada um de acordo com elas. É a prática ou não dos dez mandamentos resumidos em dois: "Amar a Deus sobre todas as coisas" e "Amar ao próximo como a si mesmo". Obedecer a lei de Deus e fugir do pecado, é isso determina o seu destino eterno, ou seja, o céu e o inferno começam aqui, consequentemente, o nosso purgatório também.

Por que a Igreja Católica reza pelas almas do purgatório?

Justamente por que a Igreja acredita, como a Palavra de Deus nos ensina, que quando uma pessoa morre, ela não pode mais fazer nada por ela mesma, pois está entregue à misericórdia de Deus e a sua própria história, pela qual ela é julgada. Mas os outros podem fazer isso por ela. É uma prática bíblica; sempre se rezou pelos mortos. Os primeiros santos foram mártires e, no túmulo deles, se fazia oração. Então, sempre houve essa questão da comunhão.

As almas do purgatório podem interceder por nós?

Claro. Elas não podem fazer nada por elas mesmas, mas podem oferecer o sacrifício. E quem reza tem esse grande privilégio de receber auxílio em muitos momentos. E quando essas almas saírem do estado de purgatório e chegarem ao céu, à plenitude da salvação, verdadeiramente elas vão poder fazer mais por nós.


Respostas dadas por: Frei Josué


Fonte: Catequese Católica Vinde Espírito Santo.
domingo, 18 de novembro de 2012
Encerramento da Festa de São Manuel

Encerramento da Festa de São Manuel




Homilia em áudio (MP3) da Santa Missa de Encerramento da Festa de São Manuel do Marco_CE.
 Tema: Creio na Vida Eterna. Presidida por nosso pároco Monsenhor Rômulo.

Evangelho (Marcos 13,24-32).
Domingo, 18 de Novembro de 2012.


Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos:
“Naqueles dias, depois da grande tribulação, o sol vai se escurecer, e a lua não brilhará mais, as estrelas começarão a cair do céu e as forças do céu serão abaladas.
Então vereis o Filho do Homem vindo nas nuvens com grande poder e glória. Ele enviará os anjos aos quatro cantos da terra e reunirá os eleitos de Deus, de uma extremidade à outra da terra.
Aprendei, pois, da figueira esta parábola: quando seus ramos ficam verdes e as folhas começam a brotar, sabeis que o verão está perto. Assim também, quando virdes acontecer essas coisas, ficai sabendo que o Filho do Homem está próximo, às portas.
Em verdade vos digo, esta geração não passará até que tudo isto aconteça. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão. Quanto àquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai”.

Baixe aqui a Homilia





sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Vida de Nosso Padroeiro, Mártir: São Manuel.

Vida de Nosso Padroeiro, Mártir: São Manuel.



São Manoel viveu por volta de de 340 a 362; nasceu na cidade de Ctesiphonte, na Pérsia, hoje Irã, então governada por Sapor II, terrível inimigo dos cristãos. Seu pai era o Arqui-mago e sacerdote dos ídolos, mas permitia que sua mulher, cristã, educasse os filhos no cristianismo.

Manoel foi enviado a Constantinopla, junto com seus irmãos Ismael e Sabel, para assinar um Tratado de Paz entre sua pátria, a Pérsia e o Império Romano. Baltano, que governava Constantinopla, enviou-os à Roma para tratar diretamente com o Imperador Juliano. O Imperador Juliano recebeu Manoel e seus irmãos com honras de Estado em seu palácio, tentando seduzí-los à suas crenças por meio do luxo, mas diante da recusa dos embaixadores cristãos a prestar culto ao Sol e a outros deuses pagãos, ordenou que lhes fosse imposta a pena a que eram condenados os cristãos: o martírio. Sendo Manoel o primogênito, foi atravessado com com um cravo de ferro em cada ombro e outro atravessou-lhe de ouvido a ouvido. Seguiu-se à morte dos santos um forte tremor de terra que soterrou seus corpos antes que fossem reduzidos a cinzas, como queria Juliano. Methaphraste escreve, em 17 de junho, a vida de São Manoel e, em sua obra, conta como como se propagaram os inúmeros milagres atribuídos ao nosso padroeiro. Todo o oriente toma conhecimento da vida gloriosa de São Manoel, o Padroeiro dos diplomatas. E pela ressonância, em toda a Europa, especialmente em Portugal, onde seu nome é hoje o mais adotado pelos portugueses. História escrita pelo padre Manoel Rodrigues de Faria (Lisboa, 1846) e dedicada ao 5o. Marquês de Pombal, Manoel José de Carvalho Melo Daum DÁlbuquerque Souza e Lorena. Resumo feito na cidade fundada pelo português Padre Manoel de Jesus e Maria - Rio Pomba, MG.- Segundo folheto divulgado em Rio Pomba, pelo padre Mário Marcelo, quando pároco da igreja de São Manoel.

Oração a São Manoel

Oh! Glorioso Mártir São Manoel, perfeito modelo de paciência que suportastes toda sorte de humilhações, até derramardes o vosso sangue e chegardes ao ponto de dardes ávida por amor de Jesus, tudo isso com paciência, a mais perfeita; alcançai-nos de Jesus, abraçar sempre com todo amor a pequena cruz das contrariedades e aflições, inevitáveis nesta vida.

À vossa poderosa intercessão recorro cheio de confiança. Ensinai-me a vencer os movimentos da ira e impaciência, aceitando corajosamente as humilhações que as pessoas me fizerem, a fim de provar meu amor ao nosso amável Senhor, Jesus Cristo, a quem sejam dadas todas as honras e glórias por todos os séculos, dos séculos. Amém.

( Livro da Festa 2012, págs: 26 e 27).

quinta-feira, 1 de novembro de 2012
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