sábado, 23 de abril de 2011

Sexta-Feira da Paixão do Senhor

Jesus crucificado, que entrega sua vida, num gesto de profunda solidariedade e serviço, desperta em nós a compaixão, o amor.
Reflexão - Jo 18, 1 – 19, 42

Conhecer Jesus significa conhecer também o mistério da cruz e a grande mensagem que esse mistério nos traz: Deus amou tanto o mundo que lhe enviou seu Filho Unigênito, não para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele, e ele derramou o seu próprio sangue derramado na cruz, fazendo-se oferenda perfeita para expiação dos nossos pecados. Conhecer Jesus através do mistério da cruz significa tornar-se capaz de fazer-se também oferenda a Deus, amando até o fim, tornar-se uma perfeita oblação a Deus pela salvação da humanidade e, hoje, tornar-se oblação é antes de tudo tornar-se um missionário da vitória do Cristo sobre o pecado e a morte.
Hoje muitos querem esconder a cruz de Jesus, esquecê-la, reduzi-la a uma crença particular, de mau gosto, inclusive, por apresentar um homem despido na hora da agonia e da morte. Mas por que ter medo da cruz e do crucificado? Não foi calada para sempre a sua voz? Não foi. Por isso o sinal da fé cristã continua incomodando: mais do que as nossas palavras e, felizmente, muito mais do que a nossa incapacidade e incoerência em viver tudo o que Ele fez e ensinou.



A cruz sempre será sinal de vergonha, para o condenado, pensavam os juízes. De fato a vergonha ficou para eles, por causa de um processo de cartas marcadas, onde tudo foi falso desde as testemunhas, até as acusações. Uma vida julgada como algo que não valia nada, mais para amedrontar do que para fazer justiça. É o sofrimento inocente que chama atenção. A dor de quem paga por aquilo que não fez, pelos preconceitos, pelo medo dos grandes de perder a posição, o poder e os privilégios. Assim Jesus é mais um daqueles - homens, mulheres e crianças, pobres e esquecidos - que podem morrer, porque não fazem falta numa sociedade onde vale o poder aquisitivo, a posição social, as amizades importantes, os relacionamentos de alto nível. Fácil acabar com quem não pode se defender. Fácil esquecer quem já era ignorado. Fácil dispersar alguns fanáticos fujões e algumas mulheres choronas! Tudo vai passar. No entanto, eles, os juízes, foram esquecidos, Jesus não.


A cruz é também sinal de amor e vitória. Jesus paga com a sua própria vida não o mal que fez, mas o bem. Morre por ter desobedecido a uma lei desumana, porque não teve medo de curar em dia de sábado os que estavam presos na doença. Morre por ter perdoado e ensinado a perdoar os pecados das prostitutas e dos cobradores de impostos, daqueles que já estavam condenados pela falsa moral dos que se consideravam justos e, portanto, na condição de julgar os outros. Para Jesus não tem ovelha perdida que não possa ser resgatada e amada novamente. Ele morre por ter revelado o rosto verdadeiro de Deus Pai, rico em misericórdia e compaixão. Morre por ter ensinado aos seus amigos a buscar o último lugar, a servir e não a serem servidos; a doar sem exigir reconhecimento; a dar tudo, até a própria vida, porque não tem amor maior do que esse. O exemplo de Jesus é a sua vitória. A vitória da fidelidade sobre a traição, da humildade sobre a arrogância, da obediência por amor sobre o individualismo egoísta; a vitória de uma vida renovada sobre a morte de sempre.


Dom Pedro José Conti
Bispo de Macapá - AP

fonte: cnbb
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